Decretar a morte do "Liberalismo" é manifestamente exagerado (uma resposta)


[Esta é a resposta ao post do João Pereira da Silva "J'Accuse: O fim do "liberalismo" em Portugal"]

João, discordo do teu post, acho que não é um texto feliz. Misturas temas e conceitos resultando numa peça que mais parece uma legitima mas pessoal expressão emocional de vontade, do que uma análise fria de factos e acções (para além de seres tremendamente injusto para com a trajectória intelectual do Carlos Guimarães Pinto deturpando a posição dele em relação ao texto absurdo daqueles economistas que ele, entre iguais, refutou ponto a ponto. Bom mas isso é entre ti e ele…)

Confundes a tradição histórica liberal, o seu trajecto, o seu corpo de produção teórica com um partido político liberal. O liberalismo vai de Burke a Paine, de Nozick a Rawls, de Constant a Guizot. É liberdade e autonomia individual, mas também é segurança e estado na defesa dessa liberdade individual de escolhas, na defesa da propriedade privada e da justiça contra a força bruta do mais forte. É nacionalista mas também é internacionalista na forma como vê o comércio entre nações como factor de prosperidade e paz, é não-intervencionista mas também é defensor da guerra preventiva contra intolerantes ofensivos como os comunistas, sejam os Chineses agora ou os Soviéticos no passado. É muito provavelmente a mais heterogénea das filosofias políticas que o ser humano já criou.

Já um partido político é uma ferramenta de poder, uma união de indivíduos com o objectivo de tomada deste ou, no mínimo, de agir fortemente sobre ele. Pretende, em Democracia, chegar ao poder para combater o poder, porque se não entrega esse mesmo poder do estado a outros, o que acontece faz décadas em Portugal com o Socialismo. Escolhe a estratégia, e os seus homens em função do(s) que acha necessário para chegar ao poder. Escolhe dentro dos teóricos políticos liberais os que servem a sua estratégia para o momento e o contexto. Pretende agradar à maioria, sem alienar a essência politica, porque é ela que lhe dá os votos para chegar onde pretende.  

Podemos discordar desta estratégia mas temos remédio; se acharmos que a IL está muito Paine e pouco Burke, se pensarmos que Nozick é melhor que Rawls apesar de lá dentro dizerem o contrario, entremos na IL ! entremos como militantes e tentemos mudar o percurso, transformando-a naquilo em que acreditamos.

Não João, o liberalismo não morreu, as notícias da sua morte são manifestamente excessivas. Tu é que não gostas desta Iniciativa Liberal. Abraço forte.

Comentários

  1. Os Liberais têm apenas uma cadeira na AR não devem degladiar-se, devem usar todas as suas ferramentas para combater o socialismo,não destruam a esperança dos portugueses que votaram quer sejam mais Ventura, quer sejam mais IL.

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