Da superioridade moral

Dois assuntos da espuma dos dias que merecem, no meu entender, um olhar mais continuado.  Primeiro assunto. Numa recente entrevista no programa 60 minutos, o novo bibelot da esquerda norte-americana, Alexandria Ocasio-Cortez, quando confrontada com adulterações que  tinha feito a dados e informações estatísticas para ter razão num assunto, disse isto: "If people want to really blow up one figure here or one word there, I would argue that they’re missing the forest for the trees. I think that there’s a lot of people more concerned about being precisely, factually, and semantically correct than about being morally right." ou seja, para Ocasio-Cortez 'It is more important to be morally right than factually correct,'. Esta frase é interessante pois sintetiza toda uma forma de olhar e interpretar o Mundo; em última análise a realidade não interessa para nada, o que interessa é ter razão moral, baseada na mundividência e ideologia que ela e os seus "compagnons de route" têm. Os fins justificam sempre os meios e os sentimentos e as emoções são a fonte da verdade e guia da acção. Todo o resto, da ciência às pessoas, têm de estar ao serviço destes princípios "moralmente superiores" de viver. Esta é uma forma de acção que tantos e tão bons resultados tem tido, como o provam os países que implementaram modelos socialistas, ideologia que Ocasio-Cortez defende e quer implementar no EUA logo que ajudar a derrotar Trump....

Passemos ao segundo assunto. Um grupo de "271 personalidades e 35 colectivos" portugueses pediu num artigo de opinião no jornal PUBLICO de dia 7 de Janeiro, a intervenção da componente coerciva estatal de forma a que ideias que eles não gostam não sejam publicadas ou apresentadas em qualquer plataforma ou órgão de informação, isto é, querem que opiniões sejam censuradas pelo Estado! Saliento que eles não querem o contraditório público legitimo da discussão das ideias para as provar erradas ou inaceitáveis, o que lhes interessa é o intervencionismo estatal. O seu objectivo é que o Estado se torne o "policia da opinião e da informação" e impeça as pessoas de dizer as parvoíces e idioteiras que entendam. Segundo este expressivo grupo de "271 personalidades e 35 colectivos" o "racismo, a xenofobia, o fascismo, a homofobia e o machismo não são opiniões, são crime e põem em risco as sociedades democráticas.", mais uma vez não lhes interessa concretizar, materializar, dizer em concreto o que é uma afirmação racista, ou xenófoba ou machista, mas sim manter uma abrangência nebulosa, um relativismo interpretativo. O sentido dos factos tem de estar em aberto para estes censores pós-modernos poderem opinar e decidir criminalizar à vontade, sempre em função dos sentimentos e emoções, devidamente suportados pela sua supra moral que os leva a recusar olimpicamente a opinião alheia unicamente porque não gostam dela ou os incomoda.

É isto que une os dois assuntos; a forma arbitrária, disfuncional, relativista e profundamente intolerante com que estas pessoas inclinadas à esquerda olham para os outros e para o Mundo. Como se diz por aí "os fascistas de hoje chamar-se-ão a si próprios anti-fascistas" e garantidamente que Alexandria Ocasio-Cortez e as “271 personalidades e 35 colectivos” assim se intitularam. 

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